sábado, 2 de janeiro de 2010

LINDBERG, PT, CONVENÇÃO
O que que eu tenho a ver com isso?


Repercute na imprensa a noticia de que Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu teria desistido de sua pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro após uma conversa com o Presidente LULA.
O prefeito teria assegurado a indicação para uma das vagas de candidato ao Senado numa aliança com o PMDB do atual Governador tirando do páreo a Secretária de Estado de Ação Social Benedita da Silva. Não é o que afirma a própria Bené em e-mail endereçado ao Jornalista Gadelha e publicado em seu Blog no ultimo dia do ano. Benedita continua pré candidata ao senado. A noticia caiu como uma bomba nos meios petistas sobretudo pela razão de que o tal “acordo” teria sido costurado pelo Governador através de seu vice Luiz Fernando Pezão.
O problema é que se fizeram o tal acordo, esqueceram de combinar com o restante da direção do PT e principalmente com aqueles que defendem a candidatura de Lindberg ao Governo, quase a metade do partido em terras fluminenses. Mais uma vez, o PT irá à Convenção dividido e dividido também estará nas eleições de 2010. Culpa do Lindberg. Não. Culpa da personificação do Petismo. Quanto mais personalista o PT vai ficando, mais se vai parecendo com os outros partidos.
O alardeado PED (Processo de Eleições Diretas) do PT pode parecer o método mais democrático de escolha dos dirigentes e dos delegados ao Encontro que define as candidaturas mas não é bem assim, vamos aos pontos:
1) Os filiados precisam estar em dia com a sua contribuição financeira para votar e ser votado no PED;
2) Os filiados que têm mandato (deputados e deputadas, vereadores e vereadoras, etc.) são os que possuem maior poder aquisitivo e sendo assim pagam as mensalidades dos petistas que desejam votar nas eleições internas;
3) Os mesmos mandatários fornecem transporte gratuito aos filiados no dia da votação, entre outros “benefícios” como lanches, almoço, cerveja depois pra comemorar, etc;

O PED se transformou em um embate financeiro em que aquele que mais agrega em torno de si os filiados e paga suas despesas vence as eleições.Em algumas localidades não há debates e se houvesse seria perda de tempo uma vez que a militância já estaria “comprometida” com determinada candidatura seja a presidência ou com a chapa de delegados aos Encontros.
A Máxima do PED é a famosa “garrafinha pra encher” em que determinado filiado alcança o posto de dirigente não pelo mérito de ser um bom e fiel militante, de compreender o papel de dirigente, mas apenas pelo fato de ter nos arquivos do partido a responsabilidade sobre a filiação de X filiados e por eles cumprir as obrigações na secretaria de finanças do PT. O resultado deste atual “modo petista de eleger a sua direção” a que chamam de PED é uma direção que não fala, não mobiliza, não tem opinião e não dirige. Deixa a cargo dos parlamentares a atuação política institucional do partido, não se envolve, não promove e nem quer o debate e quando vem a convenção, vota de acordo com a vontade do seu representante no parlamento o que resulta na falta de compromisso com aquilo que defendeu com o seu voto e daí com a candidatura própria ou com a aliança. Não é a toa que as despesas de campanha de vários parlamentares petistas incluem a rubrica “Despesas com Pessoal”. Não há mais militantes sem remuneração o que torna a militância Petista, um ícone do passado, que botava medo em qualquer outro partido, uma boa lembrança da juventude deste blogueiro. Perdoem o desabafo.