Serra é contra intervenção federal no DF
GOVERNADOR TUCANO DE SÃO PAULO, JOSÉ SERRA O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse nesta quinta (18) que a situação no Distrito Federal é “bastante delicada”, mas afirmou ser contra a intervenção federal. “Isso [intervenção] tem que ser bem pensado e analisado. Tem que olhar bem o que significa intervenção. A situação é bastante delicada. Intervenção é sempre complicada”, afirmou Serra.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Queria muito passar o Carnaval sem postar nada mas me lembrei de um texto antigo que publiquei no Foco Regional e que se parece com o carnaval do Rio ou melhor com o desfile oficial das Escolas de Samba da cidade maravilhosa. Há algum tempo, o carnaval virou show de transmissão da Globo que, como no futebol, determina os horários, que destaque vai aparecer, que escola vai empolgar mais. Sim é a TV quem nos mostra o público na Sapucaí empolgado ou não com a apresentação de determinada escola e no dia seguinte, através da critica e da cobertura do evento,ensina-nos quem deve vencer o certame. Estranho mas como no texto abaixo, Falta Cultura, às vezes Arte mas principalmente um dia vai faltar sambistas nas Escolas de Samba.
FALTA CULTURA, ARTE E ARGILA.
Numa pequena cidade do interior do Brasil, uma artesã fabrica suas peças em argila, aproveitando o que ao meio ambiente pode oferecer ao sustento seu e de sua família.
Numa manhã de sol enquanto leva seus produtos ao forno rústico no fundo de sua casa de barro aparece uma moça de uniforme, querendo saber como se dá o processo de criação de sua arte. Era a moça do SEBRAE. Enquanto explica como aprendeu o oficio-arte de seus antepassados, (sua bisavó já fazia galinhas d’angola do barro que brota nos arredores) e fala do forno que herdou de sua mãe, famosa artesã daquela localidade, não percebe a cilada que envolve esta visita repentina e o quanto a sua arte e cultura pode estar ameaçada.
Um mês depois, um grupo formado por um gerente de banco, um engenheiro de produção, um advogado, uma equipe de TV daquele programa Pequenas Empresas Grandes Negócios e a moça do SEBRAE voltam àquela comunidade. Oferecem a Cidinha (assim era conhecida), a possibilidade de ampliação do seu “negócio” com treinamento, otimização dos recursos naturais, naquele momento abundantes na região, montagem de uma linha de produção com fornos elétricos com controle de temperatura, tudo financiado pelo banco e registrado pelas câmeras da rede de televisão.
Um ano depois, Maria Aparecida já contava com uma imensa indústria de artefatos de argila, galinhas d’angola saíam dos fornos às milhares, tinha mais de 20 funcionários, todos com registro em carteira, vale transporte, vale refeição, etc; da pequena vila em que morava e de onde tirava seu sustento, nada mais restava a não ser a população pobre, cujo único sonho era trabalhar naquela fábrica. E haja treinamento, otimização de recursos, montagem de linha de produção, financiamentos bancários e matérias para a TV.
Hoje, Maria Aparecida é uma empresária de sucesso. Paga religiosamente os empréstimos que ainda tem de contrair com o banco para ampliar a sua produção. Sua filha mais nova foi para São Paulo, fez faculdade de artes e pós-graduação em design; trabalha em seu escritório no Rio de Janeiro e de lá manda para a mãe os desenhos dos produtos que desenvolve, editou um livro sobre como montar seu próprio negócio e dá palestras em diversas localidades com o tema: como obter sucesso no mundo globalizado. Naquela pequena cidade do interior do Brasil ninguém mais sabe fazer galinhas d’angola sem os moldes, fornos e linha de produção. Sem financiamento do banco então, nem pensar. Parece um final feliz e, seria se não fosse um detalhe: a cultura e a arte de fazer galinhas d’angola de barro, acabou, e a próxima etapa será a total falta de argila.
FALTA CULTURA, ARTE E ARGILA.
Numa pequena cidade do interior do Brasil, uma artesã fabrica suas peças em argila, aproveitando o que ao meio ambiente pode oferecer ao sustento seu e de sua família.
Numa manhã de sol enquanto leva seus produtos ao forno rústico no fundo de sua casa de barro aparece uma moça de uniforme, querendo saber como se dá o processo de criação de sua arte. Era a moça do SEBRAE. Enquanto explica como aprendeu o oficio-arte de seus antepassados, (sua bisavó já fazia galinhas d’angola do barro que brota nos arredores) e fala do forno que herdou de sua mãe, famosa artesã daquela localidade, não percebe a cilada que envolve esta visita repentina e o quanto a sua arte e cultura pode estar ameaçada.
Um mês depois, um grupo formado por um gerente de banco, um engenheiro de produção, um advogado, uma equipe de TV daquele programa Pequenas Empresas Grandes Negócios e a moça do SEBRAE voltam àquela comunidade. Oferecem a Cidinha (assim era conhecida), a possibilidade de ampliação do seu “negócio” com treinamento, otimização dos recursos naturais, naquele momento abundantes na região, montagem de uma linha de produção com fornos elétricos com controle de temperatura, tudo financiado pelo banco e registrado pelas câmeras da rede de televisão.
Um ano depois, Maria Aparecida já contava com uma imensa indústria de artefatos de argila, galinhas d’angola saíam dos fornos às milhares, tinha mais de 20 funcionários, todos com registro em carteira, vale transporte, vale refeição, etc; da pequena vila em que morava e de onde tirava seu sustento, nada mais restava a não ser a população pobre, cujo único sonho era trabalhar naquela fábrica. E haja treinamento, otimização de recursos, montagem de linha de produção, financiamentos bancários e matérias para a TV.
Hoje, Maria Aparecida é uma empresária de sucesso. Paga religiosamente os empréstimos que ainda tem de contrair com o banco para ampliar a sua produção. Sua filha mais nova foi para São Paulo, fez faculdade de artes e pós-graduação em design; trabalha em seu escritório no Rio de Janeiro e de lá manda para a mãe os desenhos dos produtos que desenvolve, editou um livro sobre como montar seu próprio negócio e dá palestras em diversas localidades com o tema: como obter sucesso no mundo globalizado. Naquela pequena cidade do interior do Brasil ninguém mais sabe fazer galinhas d’angola sem os moldes, fornos e linha de produção. Sem financiamento do banco então, nem pensar. Parece um final feliz e, seria se não fosse um detalhe: a cultura e a arte de fazer galinhas d’angola de barro, acabou, e a próxima etapa será a total falta de argila.
Abaixo, texto do Dirigente Sindical LIMA (CUT/RJ) de julho de 2007 mas tão atual.
Um dia o Drummond escreveu, numa dos suas crônicas no JB - os mais moços não sabem, mas o JB já foi um jornal respeitado, de circulação nacional, lido, diariamente, por muita gente - que as amendoeiras, por não serem nativas, não lidavam bem com as estações. De alguma forma, a memória atávica da planta havia sido perturbada com a mudança de ambiente e elas simplesmente se comportavam em desalinho com a natureza.
Eu trabalhava, na ocasião, em frente ao Passeio Público, no Rio de Janeiro. Ali havia - não sei se ainda há - muitas amendoeiras. Era fascinante perceber que não existia qualquer compromisso coletivo de parte delas. Umas bem floresciam, outras desfolhavam, umas iam no ápice do verão e outras curtiam o desfolhado do inverno. Na boa, como se fosse assim mesmo, como se não houvesse uma ordem natural.
Nunca deparei melhor explicação que a do poeta. Elas eram, aquelas árvores, seres de outro lugar, completamente inadaptados à natureza local. Só isso. Suas almas eram sintonizadas com outras paragens, com outro ciclo, e elas eram incapazes de perceber o que ia ao redor. Não eram plantas más, rebeldes ou malcriadas. Apenas alienígenas. Fôssemos, então, compreensíveis e tolerantes com o transtorno - se é que o era - que produziam.
Isso tudo resultado de eu me ter posto a pensar sobre porque os Clovis Rossi da vida andam a se comportar da forma que temos assitido. E me parece, refletindo um pouco melhor, que o Clovis Rossi, a Eliane Catanhede, a Míriam Leitão, o Renato Machado, o Jabor, o Augusto Nunes - não, o Augusto Nunes não! -, esses todos, são uma gente cuja alma é alienígena. Cada um deles, como as amendoeiras, tem registros atávicos que os torna incompatíveis com a natureza local. Como as amendoeiras, eles não entendem o que se passa no seu entorno. E como as amendoeiras, não são bons ou ruins, apenas são alienígenas. São, todos, aparentados - talvez por isso tenham, invariavelmente, profissões correlatas - entre sí, descendem de uma grande família de gente que aportou por cá sem querer. Tudo bem branquinho. Tudo europeu, americano-do-norte, marciano, sei lá eu de onde, mas de bem longe. De outro hemisfério. De um lugar cuja natureza não se afina com a daqui. Aí, dá esse furdunço mental nos pobres. É só isso. É o povo amendoeira. Incapaz de perceber oque está acontecendo.
É curioso reparar que alguns nem parecem tão alienígenas, assim. A Miríam Leitão, por exemplo, até se percebe meio miscigenada. Como diria O Príncipe, com um pé na cozinha. Mas a alma é tão branquinha! É vê-la falar e somem as dúvidas: ali está uma legítima, perfeita, completa amendoeira.
O Drummond clamava por tolerância com a incapacidade das amendoeiras. Talvez fizesse o mesmo em relação ao povo amendoeira. Sei não. Ainda que eu seja uma criatura doce e meiga, que eu considere muito a opinião do Drummond, que eu seja capaz de entender que os amendoeira não são do mal - não, ao menos, em essência -, sei não. Acho que não vai dar pé. É que o preço pode ser muito alto. Vai que desanda o projeto dos muitos e que os poucos - e insuportáveis - voltem ao controle geral. Vai que dá tudo pra trás. Sei que eles não fazem por mal, que não tem intenção de sacanear, mas não dá. É muito risco. Aí: não vai dar pé, não! Então, é isso: pau nos amendoeira!
Recusei, aí acima, o Augusto Nunes nos amendoeira. É que esse não é alienígena, não. É, apenas, idiota, Tem a alma degradada pela idiotia e pela subserviência.
Um abraço, Lima.
Um dia o Drummond escreveu, numa dos suas crônicas no JB - os mais moços não sabem, mas o JB já foi um jornal respeitado, de circulação nacional, lido, diariamente, por muita gente - que as amendoeiras, por não serem nativas, não lidavam bem com as estações. De alguma forma, a memória atávica da planta havia sido perturbada com a mudança de ambiente e elas simplesmente se comportavam em desalinho com a natureza.
Eu trabalhava, na ocasião, em frente ao Passeio Público, no Rio de Janeiro. Ali havia - não sei se ainda há - muitas amendoeiras. Era fascinante perceber que não existia qualquer compromisso coletivo de parte delas. Umas bem floresciam, outras desfolhavam, umas iam no ápice do verão e outras curtiam o desfolhado do inverno. Na boa, como se fosse assim mesmo, como se não houvesse uma ordem natural.
Nunca deparei melhor explicação que a do poeta. Elas eram, aquelas árvores, seres de outro lugar, completamente inadaptados à natureza local. Só isso. Suas almas eram sintonizadas com outras paragens, com outro ciclo, e elas eram incapazes de perceber o que ia ao redor. Não eram plantas más, rebeldes ou malcriadas. Apenas alienígenas. Fôssemos, então, compreensíveis e tolerantes com o transtorno - se é que o era - que produziam.
Isso tudo resultado de eu me ter posto a pensar sobre porque os Clovis Rossi da vida andam a se comportar da forma que temos assitido. E me parece, refletindo um pouco melhor, que o Clovis Rossi, a Eliane Catanhede, a Míriam Leitão, o Renato Machado, o Jabor, o Augusto Nunes - não, o Augusto Nunes não! -, esses todos, são uma gente cuja alma é alienígena. Cada um deles, como as amendoeiras, tem registros atávicos que os torna incompatíveis com a natureza local. Como as amendoeiras, eles não entendem o que se passa no seu entorno. E como as amendoeiras, não são bons ou ruins, apenas são alienígenas. São, todos, aparentados - talvez por isso tenham, invariavelmente, profissões correlatas - entre sí, descendem de uma grande família de gente que aportou por cá sem querer. Tudo bem branquinho. Tudo europeu, americano-do-norte, marciano, sei lá eu de onde, mas de bem longe. De outro hemisfério. De um lugar cuja natureza não se afina com a daqui. Aí, dá esse furdunço mental nos pobres. É só isso. É o povo amendoeira. Incapaz de perceber oque está acontecendo.
É curioso reparar que alguns nem parecem tão alienígenas, assim. A Miríam Leitão, por exemplo, até se percebe meio miscigenada. Como diria O Príncipe, com um pé na cozinha. Mas a alma é tão branquinha! É vê-la falar e somem as dúvidas: ali está uma legítima, perfeita, completa amendoeira.
O Drummond clamava por tolerância com a incapacidade das amendoeiras. Talvez fizesse o mesmo em relação ao povo amendoeira. Sei não. Ainda que eu seja uma criatura doce e meiga, que eu considere muito a opinião do Drummond, que eu seja capaz de entender que os amendoeira não são do mal - não, ao menos, em essência -, sei não. Acho que não vai dar pé. É que o preço pode ser muito alto. Vai que desanda o projeto dos muitos e que os poucos - e insuportáveis - voltem ao controle geral. Vai que dá tudo pra trás. Sei que eles não fazem por mal, que não tem intenção de sacanear, mas não dá. É muito risco. Aí: não vai dar pé, não! Então, é isso: pau nos amendoeira!
Recusei, aí acima, o Augusto Nunes nos amendoeira. É que esse não é alienígena, não. É, apenas, idiota, Tem a alma degradada pela idiotia e pela subserviência.
Um abraço, Lima.
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